Maior 2005

31.8.05

Um país circular, de Luís Fonseca


Publicado na Revista Prémio de 26 de Agosto de 2005

«Imaginação e capacidade de desenrascanço são duas características intrinsecamente lusitanas. Os atributos não escolhem classes sociais, níveis de educação ou profissões. Os portugueses têm-nos em elevado grau e fazem gala da sua utilização. Os autarcas, de Norte a Sul, não escapam à regra. E os efeitos estão à vista. Se os municípios estão impedidos de aumentarem o seu nível de endividamento líquido, logo se arranja uma alternativa para fazer aparecer dinheiro – um bem demasiado precioso para ser desperdiçado em ano de eleições autárquicas. Solução: atrasar os pagamentos a fornecedores e a outras entidades, designadamente aos sistemas de saúde (ADSE) e pensões (CGA) dos funcionários municipais.
De acordo com valores revelados esta semana, as dívidas das autarquias a entidades privadas e públicas ultrapassam os 870 milhões de euros (o equivalente a 0,6% do PIB português). A acumulação destas dívidas é resultado de um expediente simples, mas, no mínimo, pouco ético. É a forma mais fácil de dar a volta aos limites de acesso ao crédito impostos desde 2002, pela então ministra das Finanças, Manuela Ferreira de Leite. O presidente da Associação Nacional de Municípios, Fernando Ruas, é o primeiro a reconhecer que algumas autarquias recorrem ao esquema para terem alguma margem financeira. Para logo em seguida acrescentar que não apadrinha este comportamento. Também era o que faltava! – rematamos nós.
Todos aplaudimos os esforços do poder central no combate às situações de fraude e evasão fiscal. A economia paralela é um polvo com tentáculos longos e resistentes. Mas como diz o povo na sua imensa sabedoria – e quase sempre com razão – o exemplo tem de vir de cima. Estes esquemas não podem ser tolerados, sob pena de porem em causa a autoridade do Estado, a quem já poucos reconhecem ser uma pessoa de bem.
Mas não é só nos atrasos dos pagamentos que as autarquias são notícia pelas piores razões. Nos primeiros seis meses de 2005, o saldo de financiamento dos municípios junto da banca atingiu os 174 milhões de euros, de acordo com o boletim estatístico de Agosto do Banco de Portugal. O número, por si, tem um valor relativo. O pior é quando o comparamos com o valor homólogo do ano passado: 53 milhões. Ou seja, o endividamento mais do que triplicou – ainda que haja 45 municípios, dos 308 existentes, que estejam impedidos de recorrer à banca por terem ultrapassado os limites de financiamento. De novo, o facto de estarmos em ano de eleições locais será apenas pura coincidência! O importante é mesmo acabar o mais depressa possível as mil e uma rotundas que transformaram este rectângulo à beira-mar num país circular [se gosta de ciclismo e acompanhou pela televisão as transmissões da Volta a Portugal deu-se certamente conta das centenas de rotundas que invadiram as nossas localidades].
Reza a história contabilística municipal que os excessos do primeiro semestre são, por norma, corrigidos no segundo. Fernando Ruas até já veio dizer que as contas só se fazem no final do ano e que não vale a pena tirar conclusões precipitadas. Tem razão! A administração local tem até Dezembro para rectificar os desmandos passados, sob pena de pôr em causa as metas orçamentais do Governo para 2005. Mas o que já se sabe não augura nada de bom ao ministro Teixeira dos Santos.
Já poucos se lembrarão que foi justamente por causa das (más) contas da Administração Local que as contas do Estado relativas a 2001 começaram a derrapar. E que teve início um bate boca entre a direita e a esquerda que haveria de se manter pelos anos seguintes. Pelos vistos, a história ameaça repetir-se.»

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29.8.05

Um crime na Ota, de Miguel Sousa Tavares


Publicado no jornal Público de 22 de Julho de 2005 e transcrito em http://planear.blog.pt/281158/

«Luís Campos e Cunha foi a primeira vítima a tombar em virtude desses crimes em preparação que se chamam aeroporto da Ota e TGV. Não se pode pedir a alguém que vem do mundo civil, sem nenhum passado político e com um currículo profissional e académico prestigiado que arrisque o seu nome e a sua credibilidade em defesa das políticas financeiras impopulares do Governo e que, depois, fique calado a ver os outros a anunciarem a festa e a deitarem os foguetes.
Não se pode esperar que um ministro das Finanças dê a cara pela subida do IVA e do IRS, pelo aumento contínuo dos combustíveis e pelo congelamento de salários e reformas, que defenda em Bruxelas a seriedade da política de combate ao défice do Estado, e que, a seguir, assista em silêncio ao anúncio de uma desbragada política de despesas públicas à medida dos interesses dos caciques eleitorais do PS, da sua clientela e dos seus financiadores.
O afastamento do ministro das Finanças e a sua substituição por um homem do aparelho socialista é mais do que um momento de descredibilização deste Governo, de qualquer Governo.
É pior e mais fundo: é um momento de descrença, quase definitiva, na simples viabilidade deste país. É o momento em que nos foi dito, para quem ainda alimentasse ilusões, que não há políticas nacionais nem patrióticas, não há respeito do Estado pelos contribuintes e pelos portugueses que querem trabalhar, criar riqueza e viver fora da mama dos dinheiros públicos; há, simplesmente, um conúbio indecoroso entre os dependentes do partido e os dependentes do Estado.
Quando oiço o actual ministro das Obras Públicas - um dos vencedores deste sujo episódio - abrir a boca e anunciar em tom displicente os milhões que se prepara para gastar, como se o dinheiro fosse dele, dá-me vontade de me transformar em "off-shore", de desaparecer no cadastro fiscal que eles querem agora tornar devassado, de mudar de país, de regras e de gente.
Há anos que vimos assistindo, num crescendo de expectativas e de perplexidade, ao anunciar desses projectos megalómanos que são o TGV e o aeroporto da Ota. O mesmo país que, paulatinamente e desprezando os avisos avulsos de quem se informou, foi desmantelando as linhas-férreas e o futuro do transporte ferroviário, os mesmos socialistas que, anos atrás, gastaram 120 milhões de contos no projecto falhado dos comboios pendulares, dão-nos agora como solução mágica um mapa de Portugal rasgado de TGV de norte a sul.
Mas a prova de que ninguém estudou seriamente o assunto, de que ninguém sabe ao certo que necessidades serão respondidas pelo TGV, é o facto de que, a cada Governo, a cada ministro que muda, muda igualmente o mapa, o número de linhas e as explicações fornecidas.
E, enquanto o único percurso que é economicamente incontestável - Lisboa-Porto - continua pendente de uma solução global, propõe-nos que concordemos com a urgência de ligar Aveiro a Salamanca ou Faro a
Huelva por TGV (quantos passageiros diários haverá em média para irem de Faro a Huelva - três, cinco, sete mais o maquinista?).
Quanto ao aeroporto da Ota, eufemisticamente baptizado de Novo Aeroporto Internacional de Lisboa, trata-se de um autêntico crime de delapidação de património público, um assalto e um insulto aos pagadores de impostos. Conforme já foi suficientemente explicado e suficientemente entendido por quem esteja de boa-fé, a Ota é inútil,desnecessário e prejudicial aos utentes do aeroporto de Lisboa.

E, como o embuste já estava a ficar demasiadamente exposto e desmascarado, o Governo Sócrates tratou de o anunciar rapidamente e em definitivo, da forma lapidar explicada pelo ministro das Obras Públicas: está tomada a decisão política, agora vamos realizar os estudos.
Mas tudo aquilo que importa saber já se sabe e resulta de simples senso comum:
- basta olhar para o céu e comparar com outros aeroportos para perceber que a Portela não está saturada, nem se vê quando o venha a estar, tanto mais que o futuro passa não por mais aviões, mas por maiores aviões;
- em complemento à Portela, existe o Montijo e, ao lado dela, existe uma outra pista, já construída, perfeitamente operacional e que é uma extensão natural das pistas da Portela, que é o aeroporto militar de Alverca - para onde podem ser desviadas todas as "low cost", que não querem pagar as taxas da Portela e menos ainda quererão pagar as da Ota;- porque a Portela não está saturada, aí têm sido gastos rios de dinheiro nos úl timos anos e, mesmo agora, anuncia-se, com o maior dos desplantes, que serão investidos mais meio bilião de euros, a título de "assistência a um doente terminal", enquanto a Ota não é feita; - os "prejuízos ambientais", decorrentes do ruído que, segundo o ministro Mário Lino, afectam a Portela são uma completa demagogia, já que pressupõem não prejuízos actuais, mas sim futuros e resultantes de se permitir a urbanização na zona de protecção do aeroporto;
- a deslocação do aeroporto de Lisboa para cerca de 40 quilómetros de distância retirará à cidade uma vantagem comercial decisiva e acrescentará despesas, consumo de combustíveis, problemas de trânsito na A1 e perda de tempo à esmagadora maioria dos utentes do aeroporto, com o correspondente enriquecimento dos especuladores de terrenos na zona da Ota, empreiteiros de obras públicas e a muito especial confraria dos taxistas do aeroporto.

O negócio do aeroporto é tão obviamente escandaloso que não se percebe que os candidatos à Câmara de Lisboa não façam disso a sua bandeira de combate eleitoral e que, à excepção de Carmona Rodrigues, ainda nem sequer se tenham manifestado contra. Carrilho já se sabe que não pode, sob pena de enfrentar o aparelho socialista e os interesses a ele associados, mas os outros têm obrigação de se manifestarem forte e feio contra esta coisa impensável de uma capital se ver roubada do seu aeroporto para facilitar negócios particulares outorgados pelo Estado.
A Ota e o TGV, que fizeram cair o ministro Campos e Cunha, são um exemplo eloquente daquilo que ele denunciou como os investimentos públicos sem os quais o país fica melhor.
Como o Alqueva, à beira de se transformar, como eu sempre previ, num lago para regadio de campos de golfe e urbanizações turísticas, ou os pendulares do ex-ministro João Cravinho, ou os estádios do Euro, esse "desígnio nacional", como lhe chamou Jorge Sampaio, e tão entusiasticamente defendido pelo então ministro José Sócrates. Os piedosos ou os muito bem intencionados dirão que é lamentável que não se aprenda com os erros do passado. Eu, por mim, confesso que já não consigo acreditar nas boas intenções e nos erros de boa-fé. Foi dito, escrito e gritado, que, dos dez estádios do Euro, não mais de três ou quatro teriam ocupação ou justificação futura.
Não quiseram ouvir, chamaram-nos "velhos do Restelo" em luta contra o "progresso". Agora, os mesmos que levaram avante tal "desígnio nacional", olham para os estádios de Braga, Bessa, Aveiro, Coimbra, Leiria e Faro, transformados em desertos de betão e num encargo camarário insustentável, e propõem-nos um TGV de Faro para Huelva e um inútil aeroporto para servir pior os seus utilizadores, e querem que acreditemos que é tudo a bem da nação?
Não, já não dá para acreditar. O pior que vocês imaginam é mesmo aquilo que vêem. Este país não tem saída. Tudo se faz e se repete impunemente, com cada um a tratar de si e dos seus interesses, a defender o seu lobby ou a sua corporação, o seu direito a 60 dias de férias, a reformar-se aos 50 anos ou a sacar do Estado consultorias de milhares de contos ou empreitadas de milhões.
E os idiotas que paguem cada vez mais impostos para sustentar tudo isto. Chega, é demais!»

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Votar, votar, votar…

A Votação Maior está ao rubro com apoiantes de diversas individualidades a votar compulsivamente nos seus preferidos. Ainda assim, até agora está o Outro a ganhar. A votação vai ficar ainda mais uma semana. Para já, e apesar de o melhor presidente da câmara ser o Outro (127 votos), à frente, em competição renhidíssima, vão Maria de La-Salette (70), João Sequeira (61), Silvino Sequeira (59) e Isaura Morais (55).

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16.8.05

Rio Maiorais


Se eu gostasse de dizer mal, diria que as gentes de Rio Maior são tão tontas que nem o seu nome sabem escrever. Mas não gosto. Até porque a ignorância e a confusão têm sempre uma explicação.
Vem isto a propósito do gentílico relativo a Rio Maior. Desde há muito que as gentes de Rio Maior optaram por riomaiorense para designar os nativos da terra (que por sinal cada vez são menos). Eu, que até sou nascido e criado na terra, há algum tempo que comecei a considerar-me um rio-maiorense, pois foi assim que aprendi, não na escola, mas em estudos jornalísticos. Não sou linguista, faço por aprimorar o meu português na medida do possível e sei até, que não sou especialmente vocacionado para o exercício erudito da língua. Mas sempre me intrigou isto de ser riomaiorense e não rio-maiorense.
Suponho que com o tempo os riomaiorenses venceram os rio-maiorenses e hoje se se tivesse que considerar oficialmente alguma coisa, optar-se-ia pela suposta corruptela: riomaiorense. Também não conheço a história que está por de trás desta variação, que já deve ter umas dezenas de anos.
Enquanto não me explicarem por que raio há-de ser riomaiorense, vou continuar a utilizar, sempre que a mão não me escape, rio-maiorense. Até porque fiquei com a ideia que deve ser assim depois de ler que:

3. Os gentílicos dos compostos onomásticos levam hífen: belo-horizontino (de Belo Horizonte), cabo-verdiano (de Cabo Verde), castelo-vidense (de Castelo de Vide), monte-realense (de Monte Real), ponte-limense (de Ponte de Lima), rio-maiorense (de Rio Maior), vila-realense (de Vila Real).

In
Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, de Magnus Bergström e Neves Reis, 27ª Edição, Lisboa, Editorial Notícias, 1995, Hífen, p. 84

Isto nem sequer é um assunto muito importante… Ele há prái tanta coisa…

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Duas atrás

Assinaturas, Contratos, Programas e Apoios
No Centro de Estágios e Formação Desportiva celebraram-se, no dia 28 de Julho, os Contratos-Programa relativos a 2005, entre a Câmara Municipal de Rio Maior e as associações culturais, desportivas, ambientalistas, recreativas e humanitárias do concelho, com o fim de apoiar as suas actividades.
Os Contratos-Programa de Apoio ao Associativismo Riomaiorense, distribuídos às 32 Associações, totalizam o valor de € 226.950.
(RM Jovem)

Que bela iniciativa com um ano de atraso! Os contratos-programa são ASSINADOS a meio de 2005, quando se deveria estar a preparar o plano de actividades do próximo ano e a contabilizar apoios. Se as associações estivessem à espera da câmara para saber o que podem fazer, só faziam actividades de Natal.

PDM em revisão
Segundo o Oeste Online, o Plano Director Municipal (PDM) de Rio Maior fez 10 anos no dia 17 de Maio, pelo que se torna obrigatória a sua revisão. Assim, no passado dia 13 de Julho, iniciou-se o processo de revisão do PDM que será feito na Câmara de Rio Maior com 'a prata da casa' ficando a coordenação do processo a cargo do Pelouro do Planeamento Urbanístico, através do Departamento de Urbanismo e Ordenamento do Território.
Segundo o vereador do Pelouro, João Sequeira, o Município vai apostar na criação de mecanismos que permitam uma forte participação dos cidadãos neste processo de revisão. Assim, irá ser implementada a chamada "Sala do PDM", onde os munícipes se poderão dirigir para obterem informações sobre a revisão do Plano e darem sugestões sobre o mesmo, bem como a criação de um endereço electrónico que servirá para os mesmos fins. A página da Internet da câmara também tem um espaço dedicado à revisão do Plano.
Este processo de revisão, deverá ter concluída a fase de diagnóstico no primeiro trimestre de 2006. Segue-se uma segunda fase de apreciação de entidades públicas, de abertura de inquérito público e de aprovação em Assembleia Municipal, que deverá durar cerca de seis meses. (Oeste Online, 16-07-2005)

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2.8.05

Notícias da situação!


Silvino Sequeira apresentou-se para mais uma candidatura à presidência da Câmara Municipal de Rio Maior. Depois do acordo entre PS e PSD, a nova lei de limitação dos mandatos dos autarcas, permite ao presidente socialista voltar a candidatar-se mais duas vezes, agora em Outubro e depois em 2009. Só em 2013 Silvino Sequeira estaria impedido de se voltar a candidatar. “Estaria”, no sentido em que dificilmente Silvino Sequeira “durará” até lá. Por sua vontade, ou contra ela, pressentem-se novos lideres para Rio Maior…
Até porque, o sentimento geral é o de que o actual presidente parece empenhado em legar ao seu filho, João Sequeira, a câmara municipal já no próximo mandato. Mas já lá vamos…

A candidatura do PSD e o nervosismo socialista
Segundo “correu” por aí, António Rola contratou uma “estrutura profissional” para a campanha. O que por si só significa muito, face ao amadorismo saloio com que se faz tudo em Rio Maior (e até no país, mas enfim). E por isso, nem interessa o grau de profissionalismo da campanha. A verdade é que o director de campanha de António Rola, o empresário Hélder Raimundo apostou sobretudo em “fazer mexer” a cena política de Rio Maior e até ao momento o objectivo foi conseguido — os socialistas estão muito confusos e… nervosos!

“Fazer mexer”
Ao apresentar os candidatos às juntas de freguesia com algum cuidado relativamente à imagem e à promoção e faseadamente, o PSD, com poucas mais iniciativas, conseguiu chamar a atenção para a sua campanha.
Até a comunicação social mexeu… Segundo conseguimos apurar o jornal “Tribuna” que deu cobertura à apresentação dos candidatos, aumentou exponencialmente as suas vendas. Assim, se não ultrapassou o Região de Rio Maior, ficou lá muito perto. É que o Região, que não deu tanta importância aos candidatos (nem a nada, mas enfim) apenas comprovou a sua descida acentuada desde o inicio do ano, quer nas vendas, quer nas assinaturas.
Do lado do éter, na Rádio Maior, segundo apurámos, o debate político onde Figueiredo estava a cilindrar o vereador Victor Damião, pode não ter acabado a meio por acaso. A falta de electricidade pode estar relacionada com uma eventual ida de Casimiro Lopes, o proprietário da rádio, ao emissor… O programa, entretanto parece ter acabado… Confirmando assim o nervosismo dos socialistas.

Será legitimo?
Os ecos deste nervosismo estenderam-se ainda à Associação dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Rio Maior. O que levanta uma questão pertinente: será legitimo que a reunião da Associação dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Rio Maior, tenha servido para “avisar” os seus associados de que estas são umas eleições muito importantes e que se Silvino Sequeira não ganhar as eleições entrar-se-á numa situação perigosa para os próprios funcionários? É verdade que se trata de uma associação, eles são funcionários contratados pelo actual presidente e todos sabemos que Silvino Sequeira tem uma política de contratação para aumentar o emprego em Rio Maior e que outro candidato poderá não ter. São os seus empregos que estão em causa. Por isso: será legitimo, ou estamos perante o “polvo silvinista” de pressão e compra de votos?! Mas acho que não foi suficientemente explicado que o próprio Silvino Sequeira, caso ganhe, poderá no decorrer do mandato ter que tomar medidas impopulares porque, como todos os trabalhadores bem sabem, a câmara está numa situação muito difícil…

Um dia a casa vem abaixo!
A Câmara Municipal de Rio Maior tem dividas até ao tutano! Segundo apurámos, os pagamentos maiores estão suspensos e os mais pequenos estão a ser cumpridos relativamente ao mês de… Novembro. Há empresas que começam a ficar muito nervosas (parecem os socialistas) porque as contas estão mais altas que nunca e os próprios socialistas estão nervosos com as eleições. O Parque de Negócios está parado não por falta de dinheiro mas por falta de uns trocos…

Tudo ao contrário!

Pior está a nova Estação Rodoviária, concluída há mais de um mês, mas sem poder ser inaugurada. Segundo apurámos, não só foi mandada fazer ao contrário do que foi projectado, como supostamente tem um problema de altura para alguns autocarros. Como a pala é suspensa não se pode subir. Por isso vão ter de rebaixar o chão. O que coloca alguns problemas de segurança para a pala e por isso poderá ter que levar alguns pilares não previstos no projecto.
Estas situações não são de resto novas para Silvino Sequeira, já que ele e a sua equipa gostam de virar as coisas ao contrário do projectado. Aconteceu com o edifício da Biblioteca, que depois das trocas e baldrocas conhecidas ainda foi virada ao contrário. Um edifício que originalmente não necessitava de luz eléctrica durante o dia, agora tem de a utilizar.

Uma equipa escolhida a dedo
Mas nem tudo corre assim mal a Silvino Sequeira, há coisas piores. Silvino Sequeira que sempre escolheu os seus colaboradores com critérios muito rígidos onde só por acaso conta a competência, a inteligência e a preparação, segundo apurámos, foi proibido de colocar João Sequeira como número dois na lista para as próximas eleições. O PS, não só não gostou do trabalho de João Sequeira como deputado, como não gostou do seu trabalho no partido, por isso proibiu Silvino de o colocar à beira da presidência por renuncia do pai. Sequeira sénior, que não gosta que lhe digam o que deve fazer, prepara-se para colocar o seu braço direito em número dois e o filho em número três. E quem é o seu braço direito que se lhe for pedido adoece gravemente logo após a renuncia de Silvino Sequeira? O indescritível Carlos Nazaré…
O problema agora parece ser Victor Damião que não quer ser relegado para número quatro! (Será que o vão conseguir convencer que é para ficar mais perto da filha?!)

Queres o quê?
Quem queria ser vereador era José Marcelino, provavelmente aborrecido com a actividade da Junta de Freguesia. Mas segundo soubemos, foi-lhe dito que não havia mais ninguém e por isso lá vai ele desalentado correr para mais um mandato. Isto até poderia ser bom para a candidata do PSD, Zami. Mas a jovem política que nunca teve uma única intervenção enquanto membro da assembleia municipal, e que agora está lançadíssima para a Junta de Freguesia e a preparar terreno para a presidência da Câmara daqui a 4 anos, não vai ter paz. Se a sua própria estrutura de campanha (diferente da de Rola) não deitar tudo a perder, Verde da Costa, candidato excêntrico do PCP vai crucificá-la. É que o político comunista nas eleições passadas, ao contrário das indicações do partido não tirou proveito da sua posição de charneira entre PS e a coligação PSD-PP e submeteu-se ao PS. Parece que recebeu uma proposta de trabalho tentadora da… Junta de Freguesia. Agora, vai continuar a defender a sua dama, já com a permissão do partido, que nem se importa que ele se queime e faz questão de atacar o PSD.

E Rola?
Como foi notório pela discussão e pela votação feita aqui no blog há algum tempo, as hipóteses do candidato do PSD são muito baixas e a candidatura de Rola foi considerada “ridícula”! Na minha opinião, António Rola está tão preparado para ser presidente da câmara de Rio Maior, como estava Silvino Sequeira há 20 anos atrás quando foi eleito pela primeira vez…

Entretanto, os socialistas dizem que apesar da importância que a campanha PSD tem dado às freguesias, o verdadeiro objectivo é a Assembleia Municipal (AM). Especula-se que a ideia seria ganhar a AM e durante os próximos quatro anos não só fazer frente a Silvino Sequeira mas preparar terreno para uma candidatura forte à câmara, apoiada na lista à AM deste ano. No entanto, há quem defenda que esta estratégia, a existir, não só é errada, como já está desmascarada e vai ser anulada pelos socialistas agora em Agosto, altura em que a campanha do PSD deverá abrandar. Em alternativa defende-se a primazia das freguesias. A ideia seria encontrar bons candidatos, apoiá-los e prepará-los muito bem, para ganhar o máximo de juntas possível. Os presidentes de junta, não só têm uma visibilidade grande a nível local, como têm assento na AM. O argumento para convencer as pessoas a votar PSD nas freguesias era simples: os presidentes PS, são naturalmente submissos ao poder de Silvino Sequeira e isso não tem dado frutos. Logo é preferível ter um presidente de outra cor, com poder reivindicativo e vontade de fazer mais.
Em ambos os casos, por arrasto, muita gente votaria também em António Rola para a câmara, aumentando as hipóteses do candidato.
Seja como for, na minha opinião, qualquer destas apostas é melhor que apostar directamente em António Rola e na lista para a Câmara. É que Rola parte já com um factor muito favorável — toda a gente conhece o seu nome mesmo ao nível nacional, por causa das suas funções de árbitro e depois da ligação ao Benfica. Mas por outro lado caiem sobre si desconfianças grandes e até já correm boatos sobre a sua vida privada. Por isso ele deve recatar-se e não descer ao nível do bate-boca politiqueiro. Se o melhor que ele tem é o seu nome, pouco mais deverá revelar de si próprio e deve apostar sobretudo em apoiar uma das duas opções acima: as freguesias ou a assembleia municipal.

O outro
Entretanto, segundo apurámos, surgiu outro putativo candidato à Câmara de Rio Maior, que numa sondagem encomendada pelos socialistas ameaça a posição de liderança de Silvino Sequeira. Alguém que nem sequer é candidato à presidência da Câmara, mas sim à presidência da Junta de Freguesia de Asseisseira: Augusto Figueiredo. O professor comunista, que aparece em segundo lugar na sondagem muito perto de Sequeira, até nem se deve importar de aguardar mais quatro anos pela presidência da câmara. Provavelmente, o mais preparado e capaz para função, será muito mais provavelmente o vencedor das eleições de 2009. O elogiado presidente da junta de freguesia de Asseisseira, só não se terá candidatado este ano, por fidelidade à Asseisseira e eventualmente por questões profissionais. Obstáculos que, bem visto, nem sequer são muito maus: daqui a 4 anos, será muito mais fácil vencer qualquer um dos possíveis políticos que estejam à frente da autarquia, mesmo que seja Silvino Sequeira. E talvez nessa altura, a câmara já nem esteja assim tão mal!
A única duvida que tenho relativamente a Figueiredo é a do partido. Se é verdade que o Partido Comunista Português já não é um bicho de sete cabeças nem mesmo para os conservadores espíritos rio-maiorenses, é pelo menos uma desvantagem. Uma coisa é ter um presidente comunista numa lista independente, outra é a câmara de Rio Maior ficar vermelha e passar para o domínio do PCP. Ainda que se trate de Augusto Figueiredo. Será possível?

O próximo presidente da câmara
O próximo presidente da câmara vai ser um desgraçado, seja ele quem for. Seja Silvino Sequeira, João Sequeira, António Rola ou outro qualquer estará sempre metido numa “carga de trabalhos” — sem ter para onde se mexer. Resta-lhe passar 4 anos a tentar encontra uma saída, pagar as dividas, resolver os problemas e seguramente, tomar “medidas impopulares”. Há quem assegure que isso será muito difícil não acontecer…
É que a câmara está em dificuldades crescentes. Com uma despesa muito grande, muito endividada e com projectos em curso que precisam de ser alimentados financeiramente por mais algum tempo. A margem de manobra para fazer mais ou fazer diferente é mínima. Já há empréstimos para pagar empréstimos que pagaram empréstimos, mais todos os recursos, legais ou menos claros para aliviar a divida, encontrar financiamento, aguentar a tesouraria e iludir a administração central. Nada que um presidente de câmara “honesto” não tenha que fazer pela sua terra! Mas Silvino Sequeira talvez tenha ido longe de mais por “contar com o ovo no cú da galinha”. Nomeadamente, por contar com a sua “capacidade” de antecipar fundos comunitários. Mas segundo apurámos essa “capacidade” pode ter acabado o que reduz as possibilidades de continuar o eterno ciclo: projecto dá divida, novo projecto paga divida, mas faz divida nova a ser paga por outro projecto…

O futuro de Silvino Sequeira
Ele próprio admitiu sair de Rio Maior para um sítio onde ninguém o conheça. Isso poderá não ser só um desejo, mas tornar-se uma inevitabilidade após sair da câmara municipal. Eu recomendava-lhe a Espanha, um país agradável e onde ele até podia aprender muita coisa. Depois, nem lhe é muito difícil instalar-se em terras dos “nuestros hermanos”, porque as casas lá são mais baratas.

P'rá semana há mais. Boas Férias!!!

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